21 de janeiro de 2026
Menos pressa, mais equilíbrio!
Com o fim de férias e o retorno às aulas se aproximando, especialistas explicam como organizar emoções e fortalecer a espiritualidade para um retorno mais leve e equilibrado.
Com a volta às aulas se aproximando, muitas famílias começam a organizar materiais escolares, ajustar horários e retomar a rotina. Mas, e quando se percebe crianças e adolescentes com tensão emocional de fim de férias, sem euforia ou saudades dos amigos, mas cheios de um cansaço interno que se manifesta no comportamento deles? Para falar dessa temática e para desintoxicar da pressa, o blog da Rede Batista de Educação conversou com a coordenadora do Ensino Fundamental Anos Finais do Colégio Batista Mineiro Uberlândia – Granja Marileusa, Josiane Oliveira, e com o capelão da unidade, Pr. Miguel Evangelista.
Segundo Josiane Oliveira, esse cenário aparece quando, ao final das férias, os estudantes demonstram dificuldade em lidar com a espera, a resistência à frustração e uma sensação constante de urgência. “A volta às aulas deveria despertar saudade dos amigos, vontade de compartilhar as experiências das férias e empolgação com o novo começo, e não ansiedade”, observa. Para ela, sinais como irritabilidade frequente, fala acelerada, agitação corporal ou dificuldade de foco pode indicar falta de disciplina ou mesmo de uma rotina para desacelerar. “O que vemos, na maioria das vezes, é excesso de estímulo”, pontua.
Josiane explica que até mesmo pausas naturais, como o sono, têm sido prejudicadas pelo ritmo acelerado e pelo uso excessivo de telas. “Dormir é o momento em que o corpo deveria desacelerar, mas isso tem sido trocado pelo excesso, o que gera instabilidade emocional. Nas crianças menores, esse desequilíbrio aparece como energia constante, sem freio; nos adolescentes, como ansiedade, impaciência e dificuldade para organizar pensamentos”, afirma.
Para a educadora, ajudar o estudante a nomear o que sente é um passo decisivo. “Quando a criança entende que para cada momento existe um tempo certo, ela aprende a viver as experiências com mais qualidade. Nesse processo, a escuta atenta e o diálogo sincero se tornam fundamentais. Desacelerar também faz parte do desenvolvimento emocional”, afirma, lembrando do texto bíblico: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus” (Salmo 46:10).
A retomada gradual da rotina é apontada pela coordenadora como um caminho seguro para recuperar a calma antes do início das aulas. Ajustar horários de sono, reduzir estímulos noturnos e reintroduzir atividades tranquilas ajudam o corpo a reencontrar o ritmo escolar. “Pequenos rituais, como separar o uniforme, revisar materiais ou escrever cartas para amigos, têm efeito organizador, e a escrita e o desenho ajudam a externalizar sentimentos e diminuem a ansiedade”, explica.
Ela também recomenda criar, diariamente, um momento intencional de pausa antes de dormir. “Um ‘minuto da calma’, com luz baixa, conversa leve ou leitura tranquila, ajuda a reorganizar o emocional e ainda cria um espaço de gratidão pelo dia vivido. Como reforço espiritual, ela cita o texto de Salmo 29.11: “O Senhor dá força ao seu povo; o Senhor abençoa o seu povo com paz”.
Quando o assunto é inteligência emocional, Josiane destaca que ela se constrói no cotidiano, e não em ações pontuais. Conversar sobre sentimentos, validar emoções e ensinar a reconhecer o que se sente reduz a ansiedade de forma poderosa. Até mesmo as frustrações, segundo ela, fazem parte desse processo.
“Elas nos ajudam a entender nossos desejos e a compreender quem realmente somos. Práticas simples, como pausas conscientes, orações breves, devocionais curtos e diários de gratidão, auxiliam na organização interior e preparam o estudante para um retorno mais seguro à escola. Esse cuidado emocional está diretamente ligado ao que a Bíblia chama de fruto do Espírito: amor, alegria, paz, mansidão e domínio próprio”, lembra a educadora, em uma referência a Gálatas 5:22.
O Batista também reforça orientações que contribuem para um retorno mais saudável: manter horários regulares de sono, cuidar da alimentação e da hidratação, estabelecer limites para o uso de telas, especialmente à noite, e organizar materiais com antecedência. Mesmo durante as férias, manter uma rotina leve e flexível favorece a organização mental.
Para Josiane, criar um quadro simples da semana ajuda crianças e adolescentes a visualizarem o tempo de dormir, brincar, ler, conviver e usar telas. “Esse equilíbrio fortalece emocionalmente e estimula a criatividade, inclusive com brincadeiras mais simples, muitas delas vividas pelas gerações anteriores. ‘Ensina a criança no caminho em que deve andar’ (Provérbios 22:6)”, citou.
Ao falar sobre o papel da espiritualidade nesse processo, o Pr. Miguel Evangelista reforça que o ritmo acelerado da vida atual afeta todas as esferas, inclusive a emocional e a espiritual. “Mesmo em períodos de férias, a espiritualidade cristã ajuda crianças e adolescentes a reduzirem estímulos, regularem emoções e encontrarem descanso e vigor em Deus”, afirma. Para ele, pequenas ações, quando se transformam em hábitos, geram um impacto profundo. “Orações breves e sinceras, leituras curtas da Bíblia acompanhadas de conversa, caminhadas, alimentação saudável, noites mais calmas, menos telas e um sono tranquilo fazem toda a diferença”, afirma.
O pastor Miguel destaca ainda que a Bíblia oferece ferramentas importantes para o desenvolvimento emocional. “Ela traz um vocabulário emocional rico, especialmente nos Salmos, oferece segurança relacional ao apresentar Deus como Pai presente e aponta direções práticas para lidar com medos, dúvidas e ansiedades. Essas referências ajudam crianças e adolescentes a compreenderem melhor suas emoções, diminuírem o medo e desenvolverem resiliência. O maior desafio hoje é a distração constante, que dificulta a profundidade espiritual e a atenção às coisas essenciais da vida”, afirma o capelão.
Pensando no início do ano letivo, o pastor propõe um exercício de reflexão. “É importante que cada estudante pense sobre o significado da sua identidade cristã e entenda que o estudo é uma vocação dada por Deus”. Ele reforça que, embora o aprendizado exija esforço e possa gerar cansaço, o conhecimento aliado ao desenvolvimento de talentos e virtudes constrói bases sólidas para o futuro. “É isso que prepara para uma vida cheia de realizações”, disse Pr. Miguel.
Quando família e escola caminham juntas, oferecendo escuta, limites, afeto e propósito, o estudante se sente seguro para desenvolver autonomia e autorresponsabilidade. Esse suporte mútuo favorece um início de ano mais leve, focado e confiante. Como lembra o texto bíblico citado pelo Pr. Miguel, “Deixo-vos a paz; a minha paz vos dou” (João 14:27).
Na prática, isso se traduz em reduzir compromissos na última semana antes das aulas e priorizar atividades simples, como caminhadas, jogos presenciais e boas conversas. Desacelerar, nesse contexto, não é perder tempo, mas cuidar do emocional, da espiritualidade e do coração para recomeçar bem.
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