9 de abril de 2026

Disciplina que transforma

Na EBE, o esporte vai além do físico; os estudantes desenvolvem foco, respeito e autoconfiança para a vida

No tatame, o aprendizado começa muito antes de qualquer golpe. É ali, entre orientações do professor, tentativas, erros e recomeços, que crianças aprendem a se controlar, a respeitar o outro e, principalmente, a confiar em si mesmas. Na Rede Batista de Educação, o jiu-jitsu tem sido exatamente isso: um caminho de formação que vai muito além da defesa pessoal. 

A proposta da instituição é clara: formar o estudante de maneira integral. Isso significa olhar para cada dimensão do desenvolvimento: física, cognitiva, emocional, social e espiritual, sempre orientada por valores cristãos. E, nesse contexto, o esporte ganha um papel importante, saindo do lugar de atividade complementar para se tornar uma ferramenta real de crescimento. 

É dentro dessa perspectiva que a Escola Batista de Esporte (EBE) oferece diferentes modalidades. Entre elas, o jiu-jitsu tem se destacado não apenas pelo movimento, mas pelo impacto que gera no comportamento e na rotina das crianças. Voltadas para estudantes de 5 a 12 anos, as aulas trabalham disciplina, autocontrole, perseverança e respeito, habilidades que rapidamente ultrapassam os limites do tatame. 

Segundo o professor de jiu-jitsu da EBE, Francisco Ferreira, a vivência dentro da modalidade exige mais do que técnica. “As modalidades de luta oferecem um ambiente único em que a disciplina e o autocontrole emocional não são apenas conceitos abstratos, mas necessidades práticas para o sucesso. Diferente de muitos esportes, nas lutas a disciplina técnica se traduz diretamente em desempenho. Além disso, preceitos como respeito, dedicação, obediência, lealdade e humildade permitem ao estudante diferenciar-se do coletivo a partir da prática da arte marcial e da vivência desses conceitos dentro do dojô”, explica. 

Para quem acompanha de perto, as mudanças são perceptíveis no dia a dia. Flávia Patente, mãe do estudante e atleta Henrique de Souza Mendonça, conta que os efeitos começaram a aparecer aos poucos e de forma muito concreta. “Percebo mudanças muito positivas. O jiu-jitsu tem ajudado o Henrique a desenvolver mais disciplina, ele está mais atento às orientações e mais tranquilo para lidar com as suas próprias emoções”, relata. 

Flávia destaca que o processo de evolução tem sido contínuo. “A cada treino, ele volta para casa com a sensação de que evoluiu um pouco mais. Isso fortalece muito a autoconfiança. Mesmo sendo um pouco tímido, ele vem ganhando segurança aos poucos e tem entendido que errar faz parte, o importante é continuar tentando”, avalia. 

E os reflexos não ficam restritos às aulas. Em casa e na escola, o comportamento também muda. “Quando encontra alguma dificuldade, ele tenta novamente em vez de desistir. Também percebo que está mais paciente e respeitoso com os colegas. Aprendeu a ouvir melhor, a esperar a vez e a lidar com o outro de forma mais tranquila”, completa. 

Quem também sente essa diferença na prática é o estudante Mateus Afonso Moraes de Pinho. Para ele, o aprendizado vai além dos treinos. “As lutas ajudam no foco, na atenção, no respeito e até na organização fora do esporte. É um aprendizado que a gente leva para a vida”, afirma. 

Ele lembra de situações simples, mas que fazem diferença no dia a dia. “Teve um momento em que o professor parou a aula para explicar a importância de ouvir os comandos. Quando a gente presta atenção, consegue fazer melhor e também respeita quem está treinando com a gente. Aprender a esperar e agir no momento certo muda tudo”, conta. 

De acordo com o professor Francisco, esse tipo de evolução é comum entre os estudantes. “Na maioria dos casos, percebemos mais controle de energia, melhora no foco, mais disciplina nas atividades escolares e maior respeito pelos colegas e professores. Também vemos mudanças em hábitos, como alimentação e rotina, além de mais interação e formação de amizades”, pontua. 

Ele reforça que o trabalho vai além do treino. “Existe uma parceria com as famílias. Acompanhamos de perto o comportamento de cada estudante e orientamos sempre que necessário, para que esse desenvolvimento aconteça de forma completa”, acrescenta. 

O estudante Arthur Pontes Felipetto, de 10 anos, faixa cinza, percebe essa evolução na prática. Para ele, as aulas são dinâmicas e envolventes, o que torna o aprendizado ainda mais significativo. “A aula é interativa e animada, com boas lutas, gincanas e brincadeiras; isso é algo que gosto muito”, conta. Arthur afirma que se sente feliz ao perceber sua própria evolução no esporte e destaca que o jiu-jitsu tem contribuído diretamente para sua rotina. “Me ajuda a ter mais foco e atenção no dia a dia”, explica. Ele também reconhece a importância dos valores trabalhados durante os treinos. “Quando respeitamos os colegas e o professor, a aula fica mais produtiva e melhor”, completa. Além disso, o estudante ressalta que a prática tem impactado sua forma de agir fora do tatame, tornando-o mais concentrado, participativo e motivado a aprender coisas novas.

Nos treinos, a prática combina exercícios físicos com o aprendizado técnico, mas também abre espaço para algo essencial: o equilíbrio emocional. Para Flávia, esse é um dos pontos mais importantes. “O jiu-jitsu permite que a criança se expresse fisicamente, mas também ajuda no controle das emoções. Com a orientação certa, elas aprendem a canalizar energia, a controlar impulsos e a se relacionar melhor com os outros”, observa. 

Ainda existe, segundo o professor, uma ideia equivocada sobre as artes marciais. “Algumas pessoas associam as lutas à agressividade, mas acontece exatamente o contrário. A modalidade ensina disciplina, respeito e autocontrole. Aqui, o estudante aprende a se defender, mas, principalmente, a lidar com suas emoções e com o outro de forma equilibrada”, explica. 

No fim das contas, o que acontece no tatame vai muito além do esporte. Entre quedas, tentativas e conquistas, os estudantes constroem algo que não se mede apenas em desempenho, maturidade, confiança e consciência. E é isso que eles levam para a vida, dentro e fora da escola. 

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