14 de maio de 2026
Aula de Geografia leva estudantes do 5º ano a refletirem sobre desigualdade social
Adaptando o jogo das cadeiras, a atividade no Colégio Batista Mineiro Governador Valadares promoveu uma experiência prática que ajudou a compreender como diferentes condições podem influenciar oportunidades no cotidiano
Em uma aula de Geografia com proposta diferente, estudantes do 5º ano do Colégio Batista Mineiro Governador Valadares vivenciaram, na prática, reflexões sobre desigualdades étnicas e sociais a partir de uma adaptação do “jogo das cadeiras”. O que poderia ser apenas uma dinâmica lúdica se transformou em uma experiência de percepção sobre oportunidades, privilégios e justiça social.
A proposta foi desenvolvida pelas professoras Juliana Louback, do 5º ano B, e Priscila Barbosa, do 5º ano A, com o objetivo de tornar um tema complexo mais acessível para as crianças. Durante a atividade, os estudantes foram divididos em grupos com diferentes condições para participar do jogo. Alguns tinham vantagens, enquanto outros enfrentavam obstáculos, distâncias maiores ou começavam em posições desfavoráveis. A experiência permitiu que as crianças sentissem, ainda que simbolicamente, os impactos das desigualdades sociais.
Segundo a coordenadora Juliana Dupin, a dinâmica surgiu da necessidade de fazer com que os estudantes percebessem, de forma prática, que nem todos têm as mesmas condições e oportunidades dentro da sociedade. “A proposta surgiu da necessidade de tornar um tema tão importante mais concreto e significativo para os estudantes. O ‘jogo das cadeiras’ é uma dinâmica conhecida e, quando adaptada, permite que elas percebam, de forma prática, que nem todos têm as mesmas oportunidades e condições dentro da sociedade”, explicou.
As professoras Juliana e Priscila explicam que a proposta buscou transformar um conceito abstrato em uma experiência sensorial e emocional. “Na Geografia, a desigualdade não é apenas um número, é a forma como as pessoas ocupam o território”, destacaram. Segundo elas, a dinâmica ajudou os estudantes a compreenderem que, muitas vezes, o problema não está na falta de esforço individual, mas nas condições de partida oferecidas a cada pessoa.
“O jogo revela que a linha de partida é diferente para cada um. Na realidade, isso se traduz em quem nasce com acesso a boas escolas, saneamento e redes de contatos versus quem nasce em contextos de vulnerabilidade”, afirmaram as educadoras.
Além de trabalhar conteúdos geográficos como segregação socioespacial, a acessibilidade, mobilidade urbana, território e poder, a atividade também despertou valores importantes ligados à empatia e ao olhar para o próximo. Inspiradas no texto de Filipenses 2:4, as professoras reforçaram que o ensino vai além do conteúdo acadêmico e deve contribuir para a formação humana e social dos estudantes.
A coordenadora Juliana Dupin destacou que trabalhar temas como desigualdade social desde o 5º ano é essencial para o desenvolvimento do senso crítico e da consciência social. “Esperamos que os estudantes desenvolvam um olhar mais sensível para as diferenças existentes na sociedade e compreendam a importância do respeito, da inclusão e da solidariedade nas relações humanas”, ressalta.
As reações dos estudantes durante a dinâmica evidenciaram o impacto da atividade. Theo Barbosa, do 5º ano A, contou que se sentiu desafiado durante o jogo. “Eu me senti determinado, queria vencer, então tinha que dar o meu máximo para poder sentar, pois eu era do grupo de estudantes que estavam em desvantagem”, disse. Ao perceber que alguns colegas já tinham lugares garantidos, ele refletiu: “Eu entendi que eles tinham mais vantagem do que a gente. Já tinham o lugar deles garantido, e nós não”, afirmou.
Para o estudante Heitor Paiva, do 5º ano B, a dinâmica trouxe uma conexão direta com a realidade. “Há pessoas que são mais favorecidas e têm várias coisas e riquezas, enquanto outras não têm nada ou têm pouco”, afirmou ao relacionar o jogo com a sociedade.
Já Larissa Braga, do 5º ano B, destacou que o mais marcante foi perceber que alguns participantes já tinham lugar garantido antes mesmo do término da música. “Enquanto isso, outras precisavam disputar um espaço que talvez nunca conseguissem alcançar”, observou.
Ao transformar a sala de aula em um espaço de vivência e reflexão, a atividade mostrou como o ensino pode contribuir para a formação de cidadãos mais conscientes, empáticos e atentos às diferentes realidades presentes na sociedade.
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