7 de outubro de 2026

Proposta sobre acessibilidade avança no Parlamento Jovem

Ideia desenvolvida por estudante do Batista chegou à etapa estadual do projeto após passar pelas discussões municipais e regionais

O que começou como uma discussão entre estudantes em Uberlândia chegou à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Pietro Tibaldi Dias, estudante do Colégio Batista Mineiro Uberlândia – Martins, participou pelo segundo ano do Parlamento Jovem Minas e, em 2026, avançou nas etapas do projeto com uma proposta criada por ele sobre acessibilidade para pessoas com deficiência. 

A ideia surgiu durante a etapa municipal, em Uberlândia, a partir das discussões sobre o tema central deste ano, “Inclusão da Pessoa com Deficiência e Neurodivergência”. Pietro pesquisou o assunto, buscou informações e desenvolveu uma proposta voltada à fiscalização da acessibilidade em espaços públicos. 

O estudante propôs a criação de um órgão estadual responsável por acompanhar o cumprimento das normas de acessibilidade, tendo como referência a legislação federal e as normas estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). A proposta passou pelas discussões municipais e regionais e chegou à etapa estadual, realizada em Belo Horizonte. 

Para chegar à plenária estadual, no entanto, a proposta precisou passar por novas discussões. Os estudantes participantes foram divididos em grupos para analisar as sugestões apresentadas por jovens de diferentes regiões de Minas Gerais. Pietro participou justamente de um dos grupos que discutiu a sua proposta e teve a oportunidade de apresentar os argumentos que sustentavam sua ideia. 

A experiência foi diferente da que ele teve em 2025, quando participou pela primeira vez do Parlamento Jovem. Naquele ano, Pietro acompanhou as discussões sobre “Juventude e direitos culturais” e conheceu a dinâmica do projeto. Em 2026, retornou com uma participação mais ativa e decidiu desenvolver uma proposta própria. 

“Uma ótima experiência. Tive contato com um mundo da política que nunca havia visto na prática. Conheci pessoas de diferentes culturas e origens sociais. Entendi as dinâmicas e processos políticos que afetam, sem que percebamos, as nossas vidas”, conta Pietro. 

O contato com estudantes de diferentes regiões também trouxe outro aprendizado. Ao longo das discussões, Pietro percebeu que defender uma proposta envolve ouvir opiniões diferentes e, em alguns momentos, rever pontos da própria ideia para chegar a um acordo. “Tenho compreendido as bases da negociação política. O contato com jovens de diferentes origens me fez entender que cada um trata a política de uma maneira diferente e que, em alguns momentos, precisarei ceder e negociar certos pontos se desejar o sucesso das minhas propostas”, explica. 

Para os pais, Sandra Tibaldi Dias e Paulo Sérgio de Carvalho Dias, o caminho percorrido pelo filho foi além do que imaginavam quando ele começou a participar do projeto. A expectativa inicial era de que Pietro participasse apenas da etapa municipal. A classificação para a etapa regional já foi uma surpresa para a família. Depois, veio a notícia de que a proposta havia sido selecionada para seguir para a etapa estadual e que Pietro seria indicado para viajar a Belo Horizonte para defendê-la. “No começo, não imaginávamos que chegaria tão longe. Pensamos que haveria apenas a etapa municipal. Passar para a etapa regional já foi, para nós, uma grande surpresa. Mas o mais surpreendente ainda estava por vir”, relatam. 

A família também passou a compreender de outra forma o que os estudantes vivenciam dentro do Parlamento Jovem. Inicialmente, Sandra e Paulo imaginavam que o projeto seria principalmente uma oportunidade para acompanhar o funcionamento do Legislativo. Ao longo da experiência, perceberam que os jovens são convidados a estudar um tema, identificar problemas e formular propostas para questões que afetam a sociedade. 

“Não imaginávamos que, dado um determinado tema, os jovens teriam que se debruçar sobre o assunto e formular ideias que tivessem como objetivo solucionar questões importantes para a coletividade”, contam os pais. 

A escolha da acessibilidade como tema da proposta também chamou a atenção dos pais. Para eles, Pietro passou a olhar para uma questão que muitas vezes só é percebida quando faz parte diretamente da realidade de uma família. “Ele se envolveu com um assunto que passa desapercebido para a maioria das pessoas. Normalmente, só ficamos atentos a determinados assuntos, como a acessibilidade, quando temos uma necessidade real, seja nossa, de algum familiar, ou de alguém próximo”, afirmam. 

A proposta apresentada por Pietro considera que a legislação de inclusão já existente precisa ser acompanhada para que os espaços públicos sejam, de fato, acessíveis. A ideia prevê a atuação de um órgão estadual responsável por essa fiscalização, seguindo os parâmetros estabelecidos pelas normas vigentes. 

Para o estudante, chegar à etapa estadual representou também uma mudança na maneira como ele próprio passou a enxergar sua participação na sociedade. Pietro já havia tirado o título de eleitor e sabia que poderia participar das eleições, mas o Parlamento Jovem mostrou a ele outra possibilidade de atuação. “Ele passou a entender que sua participação política não precisaria se restringir a escolher seus candidatos, mas que ele poderia ser partícipe do processo de mudança, sem necessariamente estar vinculado a um partido político”, relatam os pais. 

A experiência também trouxe para Pietro uma percepção maior sobre a construção coletiva das decisões. Segundo ele, o projeto mostrou que a participação popular está relacionada ao processo de discussão de questões que fazem parte da vida da sociedade. “O Parlamento Jovem conseguiu me mostrar como a participação popular é importante na construção de uma sociedade politicamente ativa. A política está diretamente atrelada à participação popular e, com o Parlamento Jovem, Minas Gerais consegue mostrar para sua juventude o verdadeiro valor da política e da participação popular”, afirma. 

Para Sandra e Paulo, acompanhar o filho nesse processo também foi uma oportunidade de perceber como uma proposta desenvolvida por um jovem pode partir de uma preocupação presente no cotidiano e chegar a uma discussão em âmbito estadual. 

A trajetória de Pietro no Parlamento Jovem mostra, assim, um processo que começou com a participação em um projeto escolar, passou pela pesquisa e elaboração de uma proposta e chegou à defesa de uma ideia diante de outros jovens de Minas Gerais. Para ele, ficou também a experiência de ouvir diferentes pontos de vista, negociar e compreender, na prática, como as decisões são construídas. 

“Foi um misto de alegria e realização pessoal. No meu primeiro ano no Parlamento Jovem, ainda não tinha a real noção da grandiosidade e importância política do projeto. Neste ano, entendi que, ao ter minha proposta na última etapa do Parlamento Jovem, estava diante de um dos maiores feitos de minha participação política, tendo minha opinião e voz ouvidas por pessoas de diferentes origens”, conta. 

Assine a newsletter da

Rede Batista de Educação