3 de novembro de 2026

Projeto Iguais e Diferentes ensina estudantes a olhar para o outro com empatia e solidariedade

Iniciativa do Colégio Batista Mineiro BH – Floresta/Séries Finais envolve estudantes do 7º ano e suas famílias em visitas a instituições sociais. Em novembro, as turmas realizam o Mercado Solidário

Conhecer a realidade de outras pessoas pode mudar a maneira como enxergamos o mundo. É essa vivência que o Projeto Iguais e Diferentes proporciona aos estudantes do 7º ano do Colégio Batista Mineiro BH – Floresta/Séries Finais. Há mais de 15 anos, a iniciativa convida os adolescentes a refletir sobre as diferenças, conhecer instituições sociais e descobrir maneiras de ajudar o próximo. O trabalho envolve as famílias e ganha um momento especial em novembro, com a realização do Mercado Solidário.

A ideia surgiu nas aulas de Geografia, durante o estudo das diferentes regiões do Brasil. As conversas sobre cultura, alimentação, hábitos e vestimentas abriram espaço para discutir as diferenças entre as pessoas e a importância de respeitá-las. A proposta ganhou novos contornos e passou a abordar temas como empatia, generosidade e solidariedade, por meio do programa socioemocional.

Segundo a coordenadora do 7º ano, Cristiane Torres, é preciso aprender a lidar com o diferente. “E a conviver com uma pessoa que não tem o mesmo gosto que o nosso”, disse.

As primeiras atividades acontecem em fevereiro e incluem conversas sobre bullying, amizade e convivência. Neste ano, o filme “Ron Bugado” ajudou a levantar questões sobre a dificuldade de fazer amigos, a chegada a uma nova turma e os desafios das relações entre adolescentes. As famílias também são convidadas a participar das reflexões, que continuam nas visitas às instituições sociais.

Antes de cada visita, os professores conversam com os responsáveis pelas instituições para conhecer as necessidades do público atendido e organizar as atividades. Os estudantes podem participar de oficinas, contar histórias, cantar ou compartilhar um lanche, respeitando as orientações de cada equipe. A intenção é que conheçam as pessoas atendidas e tenham a oportunidade de conviver com elas, em vez de apenas entregar doações. “Essa aprendizagem acontece não apenas pela informação. Eu ouvi falar de uma instituição, mas ela acontece pela experiência, pelo encontro. Esse contato ajuda a desenvolver empatia, respeito e a capacidade de olhar para o outro sem julgamento, sem preconceito”, afirma Cristiane.

Depois das visitas, cada grupo apresenta aos colegas a instituição que conheceu, explica o trabalho realizado e compartilha registros da experiência, respeitando as autorizações para o uso de imagens. As apresentações ajudam as turmas a conhecer diferentes realidades e a entender as necessidades de cada organização. Com a orientação dos professores e da coordenação, os estudantes votam e escolhem as instituições que receberão os recursos arrecadados no Mercado Solidário.

Para o estudante do 7º ano G, Arthur Lima Chagas, a visita a uma instituição de acolhimento de crianças foi marcante. O estudante conta que a experiência mudou sua percepção sobre a realidade de outras pessoas. “Essa experiência me fez perceber que existem crianças que precisam de muito mais do que eu e me ensinou ainda mais sobre a importância de amar o próximo como a nós mesmos”, relata.

O que Arthur viveu na instituição também virou assunto em casa. Seus pais, Flavia Chagas e Marcio Júlio Chagas, acompanharam o envolvimento do filho e ajudaram a buscar doações entre parentes, amigos, vizinhos e pessoas da igreja. A família conversou sobre a situação das crianças acolhidas e sobre as dificuldades enfrentadas por quem precisa de apoio.

A participação dos familiares é uma das marcas do projeto. A estudante Ana Julia Gouveia, hoje no 8º ano, também guarda uma lembrança especial de uma edição anterior. Durante uma visita, conheceu uma idosa que ficou feliz com a presença dos adolescentes e com a oportunidade de conversar e participar de uma atividade.

“Ela ficou completamente feliz. E a alegria mudou completamente minha realidade, porque muitas vezes a gente esquece que o simples pode fazer o nosso dia feliz também”, conta.

A lembrança fez Ana Julia pensar sobre como gestos simples podem fazer diferença na vida de alguém. Sua família também participou da arrecadação e incentivou outras pessoas a contribuir com a iniciativa.

Histórias como as dos dois estudantes mostram que o aprendizado não termina quando a visita acaba. As experiências são levadas para casa, compartilhadas com outras pessoas e passam a fazer parte das conversas sobre respeito, desigualdade e cuidado com o próximo.

A mobilização das famílias ganha força na preparação para o Mercado Solidário, realizado em novembro. A campanha arrecada roupas, brinquedos, livros, bijuterias, produtos de higiene, utensílios domésticos e calçados em boas condições de uso. Durante esse período, os estudantes recebem um passaporte solidário, carimbado a cada participação, e as turmas disputam uma gincana com pontuação ligada às doações e ao engajamento.

A arrecadação também abre espaço para discutir consumismo e sustentabilidade. Os adolescentes são convidados a pensar sobre o valor dos objetos que possuem, o esforço das famílias para adquiri-los e o destino de itens que já não usam. A escolha dos produtos faz parte dessa reflexão: doar não é simplesmente se desfazer de algo, mas oferecer um item que outra pessoa possa usar com dignidade.

Os produtos arrecadados serão comercializados no Mercado Solidário, e o valor obtido será destinado às instituições escolhidas pelas sete turmas do 7º ano, de acordo com as necessidades de cada organização. A entrega dos recursos contará com a presença dos estudantes e de representantes das instituições beneficiadas. Colaboradores e famílias de outras séries também podem participar, contribuindo com doações e comprando os produtos disponíveis.

Para Cristiane Torres, a solidariedade está presente nas pequenas atitudes, dentro e fora da escola. Ajudar um colega, ouvir com atenção e respeitar opiniões diferentes também são formas de demonstrar cuidado com o outro. “Eu não sou solidário só quando dou um brinquedo que não uso mais para vender. Eu sou solidário quando posso ceder a minha vez de falar para outro colega na sala, quando ajudo a pegar o material de um colega que caiu no chão”, explica.

Durante o projeto, até situações como a doação de produtos sem condições de uso ou a preocupação excessiva com a pontuação da gincana viram oportunidade para conversar sobre responsabilidade e o sentido de ajudar.

O Mercado Solidário é o momento em que boa parte desse trabalho se concretiza, mas o aprendizado está nas experiências vividas desde o início do ano. Ao conhecer outras realidades, ouvir histórias e participar das atividades com suas famílias, os estudantes aprendem que a solidariedade vai além das doações. Ela também está na maneira de tratar as pessoas, respeitar suas diferenças e reconhecer que cada um pode fazer a sua parte.

O Mercado Solidário desse ano acontecerá no dia 7 de novembro, a partir das 8h, nas quadras do Colégio Batista Mineiro BH – Floresta/Séries Finais, e é aberto ao público. 

Confira alguns registros das visitas realizadas pelos estudantes. Outras imagens das atividades, que mostram crianças e idosos atendidos pelas instituições, não serão publicadas para preservar a privacidade das pessoas envolvidas.

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