27 de fevereiro de 2026

Adaptação escolar: cada fase, um novo começo

Especialistas explicam como o diálogo, a previsibilidade da rotina e o fortalecimento dos vínculos emocionais ajudam crianças e adolescentes a enfrentarem mudanças com mais confiança

No início do ano letivo, alguns pais ficam com “coração apertado” devido à fase de adaptação escolar, seja da criança ou do adolescente que está ingressando na escola ou do filho que está fazendo a transição do Ensino Fundamental Anos Iniciais para o Ensino Fundamental Anos Finais. A adaptação escolar não se resume aos primeiros dias de aula, mas é um processo contínuo, que acompanha o estudante ao longo de toda a trajetória escolar e assume diferentes formas em cada fase do desenvolvimento.  

Para falar sobre a adaptação escolar, o blog da Rede Batista de Educação conversou com as coordenadoras da Educação Infantil do Colégio Batista Mineiro Governador Valadares, Flávia Melo, e do Colégio Batista Brasil Vila Velha, Cintia Pessim, e as coordenadoras do Ensino Fundamental Anos Finais do Colégio Batista Mineiro Governador Valadares, Alyne Carvalho, e do Colégio Batista Brasil São Paulo, Rachel Ferraz. 

Segundo Cintia Pessim, na Educação Infantil, o início da vida escolar é um marco significativo, tanto para a criança quanto para os pais. A mudança de rotina, os novos horários e a separação diária despertam sentimentos intensos. A coordenadora destaca que esse é um momento que exige sensibilidade. “Iniciar a vida escolar de uma criança na Educação Infantil é um passo significativo, que envolve expectativas, emoções e, muitas vezes, inseguranças por parte das famílias. Esse processo merece atenção, respeito e escuta”. A educadora reforça que a adaptação não é vivida apenas pela criança. “Quando uma criança é matriculada, sua família também passa a fazer parte da comunidade escolar. A confiança construída nesse vínculo é essencial para que o estudante se sinta seguro e acolhido”, afirma. 

A coordenadora Flávia Melo explica que a adaptação saudável não significa ausência de choro ou insegurança, mas sim a capacidade gradual da criança de construir vínculo e recuperar o equilíbrio emocional ao longo dos dias. “Na prática, uma adaptação saudável não significa ausência de choro. É esperado que haja saudade e insegurança, mas, com apoio e previsibilidade, a tendência é que a criança reduza o tempo de choro na entrada, demonstre interesse pelas atividades, aceite o acolhimento dos educadores e passe a compartilhar, em casa, relatos espontâneos sobre a rotina escolar”, disse. 

O choro, aliás, é entendido como forma de comunicação. “O choro é a forma que a criança encontra para dizer que está com medo, insegura ou com saudade”, ressalta Flávia. Por isso, a escola atua com sensibilidade, afeto e presença constante. A rotina organizada, os pequenos rituais de despedida e a previsibilidade do dia ajudam a diminuir a ansiedade diante do novo. Saber que haverá momento de roda, de lanche e de brincadeira transmite segurança e favorece o sentimento de pertencimento. 

Cíntia enfatiza que acolher uma criança é, antes de tudo, acolher seus sentimentos e emoções. Explicar o que vai acontecer, nomear emoções e garantir presença são atitudes que fazem diferença. “Frases como ‘estou aqui com você’ ou ‘é normal sentir saudade’ ajudam a construir confiança e segurança emocional. O olhar atento, o tom de voz tranquilo e a coerência entre o que se diz e o que se faz deixam memórias afetivas positivas, que marcam profundamente essa fase inicial da vida escolar”, pontuou. 

Se na infância as emoções costumam ser explícitas, nos adolescentes elas se tornam mais silenciosas. Enquanto as crianças pequenas expressam suas emoções de maneira mais visível, com choro, apego ou resistência, os adolescentes muitas vezes silenciam inseguranças, medos e pressões. Por isso, o acolhimento precisa ser constante e sustentado por uma parceria sólida entre escola e família. 

A coordenadora Alyne Carvalho explica que, nessa etapa, muitos adolescentes guardam para si suas inseguranças. “É mais difícil identificar o que o adolescente realmente está sentindo, pois muitos guardam para si suas inseguranças. Ainda assim, a equipe pedagógica observa sinais como mudanças de comportamento, queda no rendimento, isolamento, irritabilidade ou queixas frequentes de dores de cabeça e mal-estar”, disse. 

A transição para o Ensino Fundamental Anos Finais traz novos componentes curriculares, diferentes professores e maior cobrança acadêmica, o que pode gerar ansiedade. Diante disso, a coordenação acompanha de perto cada estudante, oferecendo previsibilidade nos processos pedagógicos, orientando rotinas de estudo e mantendo diálogo constante com as famílias. “As mudanças dessa fase podem gerar ansiedade. Nosso compromisso é garantir que cada adolescente se sinta apoiado e compreendido”, afirma Alyne. 

Para que o adolescente se sinta seguro para compartilhar o que vive, a escola investe em rodas de diálogo, atividades socioemocionais, conversas em sala e acolhimento individual quando necessário. “Criamos espaços de escuta onde eles possam se sentir seguros para falar. A presença constante da equipe pedagógica e a parceria com a família são fundamentais para que o estudante perceba que não está sozinho em seus desafios”, destaca a coordenadora Rachel. 

Da Educação Infantil à adolescência, a adaptação escolar é marcada por mudanças, emoções e aprendizados. Em todas as fases, a escuta atenta, o cuidado intencional e a parceria entre escola e família constroem vínculos sólidos e oferecem a segurança necessária para que cada estudante se desenvolva de forma integral. Mais do que se adaptar ao espaço escolar, trata-se de sentir-se pertencente a ele. 

  

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