25 de maio de 2026
Cultura maker transforma o aprendizado em prática nas unidades da Rede Batista de Educação
Com projetos de robótica, empreendedorismo e artes aplicadas, estudantes passam a vivenciar o conteúdo de forma prática, conectando teoria e realidade dentro da sala de aula
Robótica, projetos de empreendedorismo, artes aplicadas – nas unidades da Rede Batista de Educação (RBE), a cultura maker vem aparecendo em formas diferentes, mas com um ponto em comum: tirar o conteúdo do quadro, dos livros e colocar na mão do estudante de forma prática.
Uma frase do estudante Rodolfo Moroz, do 9º ano do Colégio Batista Brasil Porto Alegre, resume o que mudou na forma de estudar: “Parece que aprendemos de verdade”. E talvez seja exatamente essa sensação, a de que o conteúdo deixou de ser abstrato, o que melhor define o que a cultura maker tenta provocar.
A ideia não é nova, mas vem ganhando espaço nas unidades da RBE: laboratórios de robótica, projetos colaborativos, atividades que saem do quadro e ocupam o dia a dia dos estudantes na escola. A proposta é tirar o estudante da posição de quem apenas escuta e colocá-lo diante de um problema real para resolver.
Segundo Meire Mello, coordenadora do Ensino Médio do Colégio Batista Mineiro Uberlândia – Martins, o efeito mais visível é um certo despertar. “O estudante começa a perceber o quanto a teoria está presente no dia a dia. Há um despertar sobre a importância daquele conteúdo para a vida real”, diz ela. Conceitos matemáticos que antes pareciam distantes ganham outro peso quando aparecem numa situação concreta, como uma medida, uma escala ou um projeto que precisa funcionar de verdade.
As estudantes Rafaela Bonacina e Júlia Lima, também do 9º ano do Colégio Batista Brasil Porto Alegre, lembram de uma atividade em especial: o Projeto Empreender, em que precisaram criar produtos, pensar em estratégias de venda e simular o funcionamento de um negócio. “Parecia algo da vida real”, contam. Na hora da prova, dizem, fica mais fácil lembrar; a memória puxa o que foi feito, não só o que foi lido.
A robótica entra nesse processo com um papel bem específico, segundo Suselaine da Fonseca Silva, doutora em Educação e professora de Matemática e Robótica da Rede Batista de Educação. “A matemática deixa de ser apenas números e fórmulas abstratas. Os estudantes passam a aplicar medidas, proporções, lógica e ângulos em projetos reais”, explica. Mas ela aponta algo que vai além do conteúdo: a relação com o erro. Na cultura maker, quando algo não funciona, o caminho é analisar, testar de novo e ajustar, não começar do zero com a sensação de fracasso.
Hugo Almeida, estudante do 9º ano do Colégio Batista Mineiro Uberlândia – Martins, conhece bem essa etapa. “Testar minhas ideias é desafiador, porque é nesse momento que percebo se elas realmente funcionam ou não”, conta. Foi em um projeto com robótica e reta numérica que ele diz ter entendido de vez certas operações matemáticas que antes passavam batido.
Para que esse tipo de aprendizagem aconteça, o espaço físico também precisa mudar. A RBE vem investindo em ambientes pensados para a colaboração, com laboratórios de biologia, física, química, robótica. “Uma escola que abre os olhos para a construção desses espaços compreende que o aprendizado vai além da sala tradicional”, afirma Meire.
Mais do que espaço físico, Carolina Hagemann, diretora do Colégio Batista Brasil Porto Alegre, fala em propósito. Para ela, incentivar o estudante a criar e resolver problemas é também uma forma de desenvolver responsabilidade e autonomia. “Inovar é uma forma de desenvolver talentos e buscar soluções para problemas reais”, diz.
No fundo, o que a cultura maker propõe é simples e antigo: aprender fazendo. O que muda é a intenção por trás disso e os espaços criados para que aconteça.
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