18 de setembro de 2026

Enem: organização e equilíbrio na reta final

Coordenadoras da RBE orientam estudantes sobre organização da rotina, métodos de aprendizagem e cuidados com o bem-estar na preparação para a prova

Na reta final para o Enem e outros vestibulares, a pressão para aumentar as horas de estudo pode fazer com que muitos estudantes deixem de lado o descanso e a organização. O tempo dedicado à preparação é importante, mas o aproveitamento desse período também depende das estratégias utilizadas, da constância e da capacidade de identificar o que ainda precisa ser aprendido. Para as coordenadoras entrevistadas da Rede Batista de Educação (RBE), estudar melhor, revisar com propósito e preservar a saúde física e emocional são atitudes que fazem diferença até o dia da prova.

Segundo a coordenadora da 3ª série do Ensino Médio do Colégio Batista Mineiro BH – Floresta/Séries Finais, Luciene Toledo, o cérebro possui limites de atenção e processamento. Estudar por muitas horas seguidas, sem descanso, pode causar fadiga cognitiva e prejudicar a absorção das informações. “Inclusive, na minha opinião, a qualidade está acima da quantidade, sempre reforço isso com os que estão ao meu redor. Agora, se o estudante consegue tornar seus momentos frequentes de estudo (quantidade) em produtivos (qualidade), ele já está à frente de muitos outros, haja vista que a estratégia cognitiva empregada importa mais do que o tempo investido na ação”, afirma.

A coordenadora ressalta que não existe um único método eficiente para todos. A escolha das estratégias deve considerar o conhecimento prévio, as dificuldades e a maneira como cada estudante aprende. Entre as possibilidades, ela cita leitura ativa, discussões em grupo, resolução de problemas, explicação do conteúdo sem consulta ao material, mapas mentais e esboços. O método pomodoro, que alterna períodos de estudo e descanso, também pode ser utilizado, desde que adaptado à rotina de cada pessoa. “Uma coisa é certa: enquanto se estuda, deve-se eliminar qualquer distração, como de rede sociais, mensagens etc.”, orienta.

Para Luciene, o planejamento ajuda a distribuir melhor o tempo e evitar que a preparação se concentre apenas nos livros. “Sou grande defensora do planejamento, então considero essencial uma agenda bem pensada na qual se pode alternar tempo de estudo e atividade física e, se possível, focar em uma que seja prazerosa. Respeitar o tempo de sono também é fundamental para que o cérebro seja produtivo no momento do estudo. Um ambiente tranquilo, organizado e reservado para os estudos também contribui para o aproveitamento do tempo”, afirma.

A coordenadora do Ensino Médio do Colégio Batista Brasil Porto Alegre, Eliane Bragança, recomenda que os estudantes utilizem os resultados de simulados e exercícios para definir as prioridades da revisão. Identificar os conteúdos em que houve mais erros, retomar os conceitos e resolver novas questões são formas de acompanhar o próprio avanço. “Mas é importante fazer isso com muita tranquilidade, procurando revisar as aprendizagens e conteúdos essenciais, resolver questões, desenvolver um autoconhecimento para saber exatamente as áreas onde precisam ter mais tempo”, explica.

Outra orientação é dividir os conteúdos em blocos menores, alternar os componentes curriculares e reservar períodos de descanso. “Então, muitas vezes o tempo exagerado vai ser mais prejudicial ou não terá tanto resultado de aprendizado quanto o estudo fragmentado em pequenos períodos, com períodos de descanso para que o próprio cérebro consiga consolidar então as informações”, afirma Eliane. A partir desse acompanhamento, o estudante pode concentrar esforços nos temas em que apresenta mais dificuldade, sem deixar de revisar os conteúdos essenciais.

Revisar, resolver questões e realizar simulados também contribuem para a preparação para as condições reais do Enem. Além de verificar o conhecimento, essas atividades ajudam a desenvolver estratégias de resolução, administrar o tempo e lidar com o desgaste físico e emocional. Luciene destaca que a constância é importante nesse processo. “Isso é treino, e só se vence a maratona se treinar constantemente. Quanto mais se exercita, mais forte fica”, compara. Para ela, estar preparado também envolve desenvolver resistência para enfrentar a prova. “Além disso, é necessário estar preparado(a) para as condições reais da prova: gestão do tempo, resistência física, mental e emocional. Muitos perdem a ‘batalha’ por causa da condição emocional”, afirma.

Eliane reforça que o desempenho acadêmico está relacionado a hábitos que favorecem o bem-estar. Sono adequado, alimentação equilibrada e atividade física devem continuar fazendo parte da rotina, mesmo durante a intensificação dos estudos. “A Fundação Nacional do Sono, por exemplo, recomenda entre 8 a 10 horas de sono por noite para os adolescentes”, lembra.

Para a educadora, o estudante precisa ser visto de forma integral. “O adolescente tem que ser visto como um todo e não apenas como um mero reprodutor de conteúdos, mas o corpo, a mente e o emocional precisam estar alinhados para que os resultados aconteçam”. Por isso, as semanas que antecedem a prova devem ser de revisão, mas também de manutenção de hábitos saudáveis, com atenção ao descanso e à disposição física e mental.

A família também pode contribuir para esse equilíbrio. Eliane orienta que os familiares acompanhem a rotina escolar, valorizem os esforços e ofereçam acolhimento, sem transformar a preparação em um ambiente de cobranças e comparações. “O apoio familiar está totalmente ligado ao resultado positivo, antes, durante, no dia e após o Enem. Mas, falando principalmente na preparação, o papel da família é muito de apoio, acolhimento, escuta e confiança; é acolher mais do que cobrar resultados, é celebrar os esforços e valorizar as conquistas pequenas”, aconselha.

A coordenadora lembra que o Enem é apenas uma etapa da trajetória acadêmica e profissional. “O Enem é apenas um dos caminhos dentre tantos que o jovem deve buscar para buscar realizar os seus sonhos”, conclui.

Na reta final, a preparação envolve conhecimento, autonomia e cuidado. Organizar o tempo, reconhecer as próprias dificuldades e manter hábitos saudáveis são atitudes que ajudam o estudante a chegar à prova com mais confiança, equilíbrio emocional e tranquilidade.

 

Assine a newsletter da

Rede Batista de Educação