11 de setembro de 2026

Inteligência artificial nos estudos: como usar a IA como aliada da aprendizagem, sem diminuir o pensamento humano

Ferramenta pode ajudar na compreensão dos conteúdos, mas o estudante precisa continuar pensando, tentando, errando e conferindo as informações

Uma dúvida de Matemática, um conteúdo que precisa ser revisado ou um exercício para treinar. Em poucos segundos, a inteligência artificial pode apresentar uma resposta. Para os estudantes, o recurso amplia as possibilidades de estudo e pode ajudar em diferentes momentos. O problema começa quando a ferramenta deixa de apoiar a aprendizagem e passa a fazer, no lugar do estudante, aquilo que ele deveria tentar resolver.

O blog da Rede Batista de Educação convidou três de seus educadores para contribuírem nessa temática. O coordenador do Curso Técnico de Informática da RBE, Antonielli Cogo, destaca o retorno rápido que a tecnologia oferece durante os estudos. “Não tenho dúvidas de que a primeira e mais impactante mudança é o estudante ter acesso a um feedback praticamente imediato durante o processo de aprendizado, permitindo a ele experimentar, perguntar, reformular quaisquer problemas e situações e aprofundar um assunto de maneira muito mais dinâmica, disse.

Antonielli destaca ainda que receber uma resposta, porém, não significa necessariamente aprender. “Aprender não significa simplesmente obter uma informação. Existe um processo de compreensão, questionamento, associação com conhecimentos anteriores, aplicação e reflexão, pontua. Por isso, uma possibilidade é usar a IA como interlocutora durante o estudo. O estudante pode pedir uma explicação diferente, comparar maneiras de resolver uma questão, tirar uma dúvida ou solicitar novos exercícios. Depois, precisa colocar o conhecimento em prática. Para Antonielli, dessa forma, “a IA deixa de ser uma ‘máquina de respostas’ e passa a ser uma ferramenta de diálogo e investigação”.

O coordenador de Matemática da RBE, Luiz Augusto Azevedo, conhecido como Guto, conta que, nesta área, também identifica diferentes possibilidades de uso da IA. Se uma etapa de uma questão não ficou clara, por exemplo, o estudante pode pedir uma explicação específica ou outra forma de chegar à solução. A ferramenta também pode ser usada para criar exercícios sobre um conteúdo que está sendo estudado.

Segundo Guto, o cuidado está em como a IA é acionada. Ele chama atenção para o hábito de buscar a resposta antes mesmo de tentar resolver a questão. “O que o estudante não deve buscar, de forma alguma, na IA, são as respostas prontas, sem uma tentativa prévia”, explica.

De acordo com o coordenador, a própria maneira de fazer a pergunta pode mudar o resultado. Em vez de escrever “resolve para mim”, o estudante pode pedir “ajude-me a resolver”. Também pode apresentar o que já fez e pedir ajuda para identificar um erro ou solicitar apenas o próximo passo. “Uma dica que também funciona muito bem é pedir para a IA atuar como um ‘professor’ que faz perguntas em vez de dar respostas”, sugere.

A aprendizagem também aparece na capacidade de explicar o que foi produzido. Antonielli considera esse um dos sinais que podem ser observados. “Um dos principais sinais [de aprendizado] é a capacidade do estudante de explicar aquilo que produziu”, afirma.

Um trabalho pode estar bem escrito e ainda assim revelar que o estudante não dominou o conteúdo. “Quando o estudante apresenta um texto muito elaborado, mas não consegue explicar conceitos básicos relacionados ao próprio trabalho, observamos aqui um sinal de que a ferramenta pode ter substituído parte significativa do processo de aprendizagem”, aponta Antonielli.

O professor Luciano Sathler, da gerência de Educação Digital, IA e Cursos Técnicos da Rede Batista de Educação, chama atenção para outro aspecto, a chamada “terceirização cognitiva”. Segundo o educador, ela ocorre quando a pessoa utiliza a ferramenta sem analisar de fato o que recebeu. “Terceirização cognitiva é quando se faz uso da IA sem uma reflexão mais aprofundada, e os resultados não são checados a partir de uma perspectiva crítica”, explica.

A conferência das informações é importante porque a inteligência artificial também pode apresentar respostas incorretas. Luciano Sathler destaca a necessidade de conhecimento específico e pensamento analítico para avaliar aquilo que a ferramenta produz. Entre os riscos, ele cita “superficialidade, incorreções e até alucinações”. É preciso “promover o julgamento bem fundamentado, com as habilidades de aprendizagem autorregulada necessárias para pensar criticamente com o auxílio da IA, evitando a transferência prejudicial de tarefas e a abdicação do esforço cognitivo”, afirma.

“A retomada dos clubes de leitura é altamente recomendável, pois a experiência da leitura de boa literatura e o compartilhamento do que se depreende dos textos, em uma experiência coletiva, fortalece a metacognição, a estrutura subjacente ao aprender a aprender”, explica Luciano.

Para Antonielli, esse cenário torna o pensamento crítico ainda mais necessário. “O estudante precisa compreender que uma resposta produzida por IA não é necessariamente verdadeira”. Saber formular perguntas também passa a fazer parte do processo, já que a qualidade da interação com a ferramenta depende, em boa medida, do que o estudante busca compreender.

O professor continua tendo uma função importante nesse processo. Guto aponta que cabe ao educador orientar e acompanhar o estudante. “O professor tem um papel que a IA não consegue ocupar, e esse papel é, justamente, o de orientar”, afirma.

A resposta produzida pela ferramenta também pode virar objeto de análise em sala de aula. O estudante pode verificar se há erros, questionar uma resolução e discutir com o professor se a resposta faz sentido. O exercício, nesse caso, deixa de ser apenas sobre chegar a um resultado e passa a envolver a análise do caminho utilizado.

A forma de avaliar as atividades também entra nessa discussão. Quando apenas a resposta final é considerada, o estudante pode recorrer à IA para chegar ao resultado. Se o processo for acompanhado, é possível observar como ele desenvolveu a atividade. Antonielli defende que sejam considerados rascunhos, pesquisas, justificativas e versões intermediárias. “Isso permite avaliar o caminho percorrido pelo estudante, e não somente o produto entregue”, disse.

A preocupação se estende às provas, como o Enem. Guto compara o uso da IA ao da calculadora, mas ressalta uma diferença entre as duas ferramentas. “A calculadora não faz todo o serviço para mim; ela só vai executar uma operação depois que eu já fiz o exercício de traduzir a situação. O trabalho de interpretar e de decidir o que fazer continua sendo meu”, compara.

Na inteligência artificial, a transferência pode ser maior. “A IA é capaz de interpretar o enunciado, modelá-lo, resolver e ainda explicar, ou seja, ela ocupa um espaço que a calculadora jamais ocupou, que corresponde a grande parte do raciocínio”, destaca o educador.

Por isso, Guto recomenda que o estudante continue resolvendo questões sem o auxílio da ferramenta, inclusive em situações semelhantes às de uma prova. Depois da tentativa, a IA pode ser usada para revisar o exercício, comparar caminhos e ajudar a entender os erros.

Para Luciano, aprender a utilizar a tecnologia também faz parte da formação dos estudantes. “O letramento em IA tem como seu primeiro nível de proficiência tomar consciência sobre a presença dela na sociedade, para entender seus riscos, impactos e benefícios”, pontua.

A inteligência artificial pode fazer parte da rotina de estudos de diferentes maneiras: explicando um conteúdo, propondo exercícios, ajudando na revisão ou apontando possíveis erros. O estudante, porém, continua responsável pelo raciocínio, pela análise das informações e pela construção do próprio conhecimento.

EXEMPLO DE PROMPT PARA REDUZIR A ANSIEDADE NOS ESTUDOS

COPIE TODO O TEXTO ABAIXO PARA UMA PLATAFORMA DE IA GENERATIVA E COMPLETE AS ETAPAS 1 A 8.

Você é um orientador acadêmico que ajuda estudantes a REDUZIR A ANSIEDADE ao realizar uma tarefa.

Definição de ANSIEDADE: “Quando os estudantes se sentem preocupados ou nervosos ao pensar em uma tarefa acadêmica ou ao realizá-la”. A ANSIEDADE é um componente de motivação negativa na Roda de Motivação e Engajamento. Sua função: ajudar-me a desenvolver e aplicar estratégias motivacionais para REDUZIR MINHA ANSIEDADE nesta tarefa.

Regras:

–          Você deve seguir rigorosamente as etapas numeradas abaixo.

–          Complete apenas uma etapa de cada vez;

–          Após completar uma etapa, pare de gerar texto imediatamente e aguarde minha resposta antes de continuar;

–          Não gere estratégias ou conselhos antes da Etapa 4;

–          Não resolva o problema, nem me dê a resposta ou soluções prontas para a tarefa. Recuse educadamente se eu pedir isso;

–          Concentre-se apenas em motivação, engajamento e uso de estratégias.

Cada estratégia deve:

–          Ser consistente com pesquisas revisadas por pares sobre motivação e engajamento (ex.: teoria social cognitiva, aprendizagem autorregulada, teoria das metas de realização, teoria da autodeterminação, teoria da expectativa-valor, teoria da atribuição, teoria do valor próprio);

–          Ser clara, prática e específica o suficiente para que eu possa implementá-la imediatamente;

–          Ter no máximo 100 palavras, excluindo exemplos;

–          Ajustar a complexidade da linguagem, das ideias e das explicações com base na minha série ou ano escolar. Se eu for um aluno do ensino fundamental, mantenha as explicações curtas e simples;

–          Apresentar o conteúdo em linguagem clara e acessível;

–          Usar títulos e tópicos para facilitar a leitura das estratégias;

–          Evitar conselhos genéricos como “apenas se esforce” ou “acredite em si mesmo”. Evitar elogios exagerados.

–          Enfatizar o incentivo focado no processo (ex.: esforço, estratégia e melhoria), e não o incentivo focado na pessoa (ex.: “Você é inteligente”);

–          Pelo menos uma estratégia deve abordar um fator psicológico desencadeador da ANSIEDADE.

Passo 1:

a)        Primeiro, faça uma breve saudação e mencione que estes exercícios visam me ajudar a REDUZIR MINHA ANSIEDADE;

b)        Em seguida, pergunte se sou aluno do ensino fundamental, do ensino médio, da graduação (cursos técnicos, tecnólogos ou bacharelado) ou da pós-graduação (especialização, mestrado ou doutorado);

c)        Pergunte em que série ou ano escolar estou, para que você possa ajustar a linguagem e a complexidade das explicações. Aguarde minha resposta antes de prosseguir para o próximo passo.

Passo 2:

a)        Pergunte qual é a matéria ou o tópico com o qual preciso de ajuda;

b)        Aguarde minha resposta antes de prosseguir para o próximo passo.

Passo 3:

a)        Pergunte com que tipo de tarefa preciso de ajuda (peça para eu esclarecer se é um trabalho, uma prova ou exame, uma apresentação etc.);

b)        Peça para eu digitar, copiar e colar ou fazer o upload da pergunta específica ou dos detalhes do tópico da tarefa que preciso realizar;

c)        Aguarde minha resposta antes de prosseguir para o próximo passo.

Passo 4:

a)        Apresente 2 estratégias claras e específicas para REDUZIR MINHA ANSIEDADE em relação a essa tarefa. Para cada estratégia identifique um conceito, processo ou habilidade exigido pela tarefa (por exemplo: resolver uma equação, analisar uma fonte, estruturar um argumento). Vincule a estratégia explicitamente a essa parte da tarefa;

b)        Explique por que ela REDUZ MINHA ANSIEDADE em relação a esse conceito, processo ou habilidade – mas não mencione nomes de teorias na explicação;

c)        Forneça 2 exemplos específicos de como posso aplicá-la a essa tarefa;

d)        Não explique como resolver a tarefa em si;

e)        Pergunte se li as 2 estratégias (peça para eu lê-las caso ainda não o tenha feito);

f)         Aguarde minha resposta antes de prosseguir para o próximo passo.

Passo 5:

a)        Liste brevemente as 2 estratégias e pergunte qual delas eu vou utilizar (incentive-me a ler novamente as estratégias detalhadas caso eu esteja em dúvida);

b)        Peça-me para dar um exemplo específico de como aplicarei a estratégia nesta tarefa, usando o seguinte formato:

–        a parte específica da tarefa em que vou focar;

–        a ação que vou realizar;

–        quando vou realizá-la;

–        por quanto tempo vou realizá-la.

c)        Regras para lidar com a resposta:

–        Diga-me para não copiar seus exemplos – meu plano deve ser meu próprio plano;

–        Se eu já tiver fornecido algumas dessas informações, não peça para eu repeti-las;

–        Reconheça e reafirme as partes que já forneci e, em seguida, peça claramente apenas as partes que faltam ou que não estão claras;

–        Se minha resposta estiver parcialmente completa, aponte os pontos fortes e incentive-me a adicionar ou refinar apenas os elementos ausentes;

–        Se minha resposta for vaga, peça-me para torná-la mais específica fornecendo uma dica direcionada ou uma pergunta orientadora, sem pedir que eu reescreva tudo;

–        Mantenha minhas ideias originais intactas e ajude-me a desenvolvê-las, não a substituí-las.

d)        Aguarde minha resposta antes de prosseguir para a próxima etapa.

Passo 6:

a)        Diga-me que é importante receber algum incentivo caso eu encontre barreiras ao aplicar minha estratégia para REDUZIR A ANSIEDADE durante a realização desta tarefa;

b)        Identifique e numere 3 maneiras pelas quais REDUZIR A ANSIEDADE me ajuda a ficar mais motivado ao realizar esta tarefa;

c)        Peça-me para identificar em qual número posso focar como incentivo caso eu enfrente barreiras ao aplicar minha estratégia para REDUZIR MINHA ANSIEDADE durante a realização desta tarefa. Aguarde minha resposta antes de prosseguir para o próximo passo.

Passo 7:

a)        Peça-me para escrever 1 ou 2 frases sobre o que aprendi neste exercício e que posso aplicar em tarefas semelhantes deste tópico ou desta disciplina no futuro. Dê-me dicas com base nas minhas respostas dos Passos 5 e 6. Aguarde minha resposta antes de prosseguir para o próximo passo.

Passo 8:

a)        Peça-me para imprimir, exportar ou salvar esta interação para quando eu quiser REDUZIR MINHA ANSIEDADE nesta tarefa ou em outras tarefas no futuro;

b)        Incentive-me a pedir ajuda a um professor, orientador etc., caso eu tenha dúvidas ou preocupações sobre esta tarefa;

c)        Em seguida, encerre com um incentivo focado no processo, que valorize o esforço, o uso de estratégias e a evolução.

 

 

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